As Posições dos Jogadores: “Lateral” ou “ala”?

29 de jul de 2008

As Posições dos Jogadores: “Lateral” ou “ala”?

Que maravilha! Quando o nome ajuda, tudo fica fácil! É óbvio que o lateral é aquele jogador que joga na lateral do campo, certo? Sim, e além disso normalmente é ele quem cobra os arremessos laterais. Mas qual a diferença entre o ala e o lateral? Será que são apenas dois nomes para a mesma função? Com certeza não. Os laterais fazem parte da linha defensiva, enquanto os alas são jogadores de meio campo e não tem que se preocupar tanto com a marcação.

Para que os alas possam ir ao ataque com maior liberdade, é muito comum utilizá-los em esquemas com 3 zagueiros e/ou com volantes que façam a cobertura nos flancos do campo. Os laterais também vão ao ataque, mas normalmente isso acontece alternadamente (quando o esquerdo sobe, o direito fica próximo aos zagueiros e vice-versa). Nada impede que o técnico dê liberdade aos seus laterais e retire suas obrigações defensivas, mas neste caso talvez seja mais interessante passar a considerá-los como meio-campistas, ou seja, alas, mesmo que a equipe esteja jogando com apenas 2 zagueiros!

Para entender um pouco mais sobre os laterais e alas, vejamos alguns exemplos reais destas funções, começando pelos laterais de ambos os times no confronto entre Palmeiras e Fluminense pelo Campeonato Brasileiro da série A (16/07).

Exemplos Reais - Laterais:

Élder Granja e Leandro(Palmeiras)
(Vs. Fluminense 16/07/2008)

Júnior César e Rafael (Fluminense)
(Vs. Palmeiras 16/07/2008)

O Palmeiras joga no esquema 4-4-2 com 2 zagueiros e 2 laterais (Élder Granja e Leandro, representados acima). Fica nítido que ambos atuam tanto no campo defensivo quanto ofensivo. Porém, podemos notar que Leandro vai mais ao ataque, deixando Élder Granja mais preocupado com a defesa. Vale lembrar que o Palmeiras jogava em casa e seus defensores eram pouco exigidos.

Agora vejamos os laterais do Fluminense, também utilizando o 4-4-2. Nota-se que existe uma preocupação ainda maior dos laterais com o sistema defensivo, inclusive com ações dentro da área. Ambos chegaram raramente à linha de fundo, o que mostra que apesar de usarem o mesmo sistema de jogo, Palmeiras e Fluminense dão orientações diferentes aos seus laterais.

Exemplos Reais - Alas:

Pablo e Wágner Diniz (Vasco)
(Vs. Atlético-PR 20/07/2008)


Vítor e Romerito (Goiás)
(Vs. Coritiba 12/07/2008)

As funções de ala e lateral são parecidas, porém não idênticas. Pablo e Wágner Diniz, alas do Vasco, atuam mais no meio campo e no ataque, chegando diversas vezes na linha de fundo. Também existem ações na defesa, porém mais isoladas do que os exemplos anteriores.

Vítor e Romerito foram os alas da equipe do Goiás na partida contra o Coritiba e atuaram definitivamente como jogadores de meio campo. Os 3 zagueiros faziam a cobertura das laterais e davam liberdade aos alas para chegarem à linha de fundo. No campo de defesa eram responsáveis por compactar a equipe, auxiliando a marcação dos jogadores de meio campo do adversário.

Ainda podemos encontrar outras diferenças entre essas funções, principalmente se compararmos as equipes brasileiras e européias, as quais têm outros conceitos sobre o assunto. Será possível uma mesma equipe usar laterais e alas? Laterais podem ser mais parecidos com zagueiros do que com alas? Por enquanto estas perguntas ficarão sem resposta, mas voltaremos a abordar o assunto em outra oportunidade!

As Posições dos Jogadores: O “Volante” no Futebol

26 de jul de 2008

As Posições dos Jogadores: O “Volante” no Futebol

Você consegue imaginar o futebol moderno sem pensar nas posições e funções de cada zagueiro? Basta colocar 10 jogadores de cada lado mais um goleiro defendendo cada meta e o jogo está pronto para começar? Não, sem dúvida. Até mesmo nas “peladas” mais informais os jogadores se organizam (ou tentam!) em zagueiros, meias e atacantes... no mínimo alguém fala: “Vai lá pra frente que eu fico na defesa!” E se quisermos ir um pouquinho mais longe, vamos lembrar dos laterais, alas, meia atacantes, volantes... Ou até mesmo sobras da zaga, pontas, número 1, etc., que são subdivisões de posições tradicionais. Mas hoje vamos nos concentrar nos volantes!

Para começar, observe as figuras abaixo. Elas foram criadas a partir da opinião de um observador em 3 jogos diferentes. Antes de ganhar o peixe, faça um exercício: Qual sistema de jogo está demonstrado em cada uma das figuras? Quantos volantes parecem existir em cada sistema de jogo? Qual o número da camisa deles?

figura1

figura2

figura3

Fácil? Difícil? Antes de mais nada, não se esqueça que é uma interpretação subjetiva do jogo (no caso, da figura) e que podem haver discordâncias entre observadores.

Figura 1: 4-5-1 com 3 volantes (camisas 5, 7 e 8).
Figura 2: 3-5-2 com apenas 1 volantes (camisa 8).
Figura 3: 4-4-2 com 2 volantes (camisas 11 e 27).

Com essas informações já podemos tirar algumas conclusões, certo? Pra começar, os volantes são jogadores de meio campo, normalmente mais preocupados com a marcação, jogando logo à frente dos zagueiros. Na língua inglesa são chamados de defensive midfielders. Além da forte marcação, os volantes também saem para o jogo, podendo ser subdivididos em 1°, 2° e 3° volante. Nomenclaturas como volante de contenção, cabeça-de-área e líbero também são utilizadas, mas isso fica para outra discussão! Para entender melhor esta posição, veremos alguns exemplos reais.

Exemplos Reais:

Uma das maneiras de estudar um jogador e suas funções é pelo registro das suas ações com bola. Abaixo serão apresentadas figuras que chamamos de área de atuação. Cada uma das marcas na representação do campo significa uma ação técnica do jogador naquele local. Vamos comparar a área de atuação dos volantes de Grêmio e Portuguesa no confronto entre essas duas equipes:

Rafael Carioca (Grêmio)
(Vs. Portuguesa 13/07/2008)

Erick e Carlos Alberto (Portuguesa)
(Vs. Grêmio 13/07/2008)

Rafael Carioca era o único volante do Grêmio neste jogo e, portanto, foi obrigado a concentrar suas ações no meio campo. Se tentasse cobrir as laterais deixaria muito espaço para bolas enfiadas no meio, dando liberdade aos meias adversários. É muito provável que os alas do grêmio tenham tido trabalho na marcação, uma vez que apenas eles eram responsáveis pelas laterais do campo.

A figura acima trata do mesmo jogo (Grêmio x Portuguesa), mas desta vez com ênfase nos volantes da equipe paulista. Os jogadores da Portuguesa Erick e Carlos Alberto ainda tinham a ajuda do 3° volante Gavillan, construindo um meio campo de marcação muito forte. Nota-se que com mais jogadores nesta função a intermediária defensiva foi dividida em dois setores (esquerdo e direito), o que permitiu que os volantes ajudassem na marcação inclusive quando próximos à linha lateral.

Portanto, sabemos que volantes são jogadores de meio campo, responsáveis principalmente pela marcação. Porém, cada sistema de jogo e cada estratégia adotada pela equipe trará funções específicas para o volante, assim como cada uma das posições. Em outra oportunidade traremos informações e peculiaridades sobre cada uma das posições do futebol!

Sistemas Táticos: 3-5-2 Conceitos Básicos

23 de jul de 2008

Sistemas Táticos: 3-5-2 Conceitos Básicos

Você sabe o que é um sistema tático? Sabe quais são os conceitos básicos do 3-5-2? Se deseja saber alguns detalhes sobre esse sistema, aí vão algumas considerações!


Assim como o 4-4-2, o 3-5-2 é muito utilizado pelas equipes de futebol, principalmente no Brasil. A figura ao lado mostra uma possível formação do 3-5-2 com a numeração tradicional.

Enquanto no 4-4-2 a linha defensiva é normalmente formada por 2 zagueiros e 2 laterais, no 3-5-2 são 3 zagueiros propriamente ditos que compõem a primeira linha (camisas 3 4 e 5 na figura ao lado).

No 3-5-2 os “laterais” são chamados de “alas” e fazem parte dos jogadores de meio campo, tendo mais liberdade para apoiar o ataque. Os outros 3 jogadores de meio campo são volantes ou meias, dependendo da variação do sistema tático. Assim como no 4-4-2, dois atacantes compõem o ataque.

Exemplos Reais:

Não podemos dizer que o 3-5-2 é mais ofensivo ou defensivo do que outro sistema porque isso vai depender da estratégia de cada equipe, da liberdade e caracterísiticas de alguns jogadores e muitos outros fatores que podem variar de jogo a jogo. Portanto, nas figuras abaixo veremos o posicionamento efetivo de algumas equipes que utilizaram o 3-5-2 como base, o que nos permite ver algumas peculiaridades de cada equipe:

Grêmio
(Vs. Portuguesa 13/07/2008)

Sport
(Vs. Náutico 13/07/2008)

Goiás
(Vs. Coritiba 12/07/2008)

Coritiba
(Vs. Internacional 06/07/2008)

Na primeira figura vemos o Grêmio jogando com 3 zagueiros e dando mais liberdade ao ala esquerdo (camisa 6) apoiar o ataque, além de ter 2 meias de armação. Já o Sport, que também jogou no 3-5-2, apresentou um esquema mais recuado, como 2 volantes de marcação e muito espaço no campo do adversário para contra-ataques. Goiás e Coritiba também usaram o 3-5-2 nas partidas citadas e mostram diferentes posicionamentos no meio campo.

Essas foram algumas considerações básicas sobre o 3-5-2. Em outra oportunidade falaremos sobre as variações, vantagens e desvantagens, diferenças entre países e considerações avançadas sobre o sistema. Fique ligado!

Os Números da 13ª Rodada!

22 de jul de 2008

Os Números da 13ª Rodada!

Assisitiu o jogo do seu time nessa rodada? Gostou do jogo? A equipe jogou bem? Acertou passes e lançamentos longos? Fez muitas faltas? Veja os números da rodada e tire suas conclusões!







Dados Fornecidos Pela ScoutOnline

Sistemas Táticos: 4-4-2 Conceitos Básicos

17 de jul de 2008

Sistemas Táticos: 4-4-2 Conceitos Básicos

Você sabe o que é um sistema tático? Sabe quais são os conceitos básicos do 4-4-2? Se deseja saber alguns detalhes sobre esse sistema, aí vão algumas considerações!


O 4-4-2 é um sistema tático muito comum e usado por equipes de todo o mundo. Consiste em 4 jogadores na defesa, 4 no meio campo e 2 no ataque, como mostra a figura ao lado. A numeração dos jogadores de 1 a 11 não é obrigatória mas muitas equipes (principalmente brasileiras) adotam a numeração tradicional, onde o número do jogador está associado a sua função, como mostrado abaixo:

1 - Goleiro; 3 e 4 – zagueiros; 2 e 6 – laterais; 5 e 8 – volantes; 7 e 10 – meias; 9 e 11 – atacantes.

Além disso, existem variações do 4-4-2 (quadrado, losango, duas linhas de quatro, etc..) as quais serão detalhadas em outros momentos.


Exemplos Reais:

O Futebol é um jogo dinâmico onde todos os jogadores se movimentam muito. E os sistemas táticos servem para organizar os jogadores e não para fixá-los em um determinado lugar. Portanto, quando visualizamos o posicionamento efetivo dos jogadores da equipe, que é formado pelas ações com bola de cada jogador, teremos uma figura um pouco diferente do modelo acima, o que pode nos dar peculiaridades sobre cada equipe. Vejamos os posicionamentos efetivos do primeiro tempo de algumas equipes que utilizaram o 4-4-2 :

Palmeiras
(Vs. São Paulo 13/07/2008)

Figueirense
(Vs. Cruzeiro 21/06/2008)

Cruzeiro
(Vs. São Paulo 29/06/2008)

Fluminense
(Vs. Vitória 29/06/2008)

Na primeira das figuras axima vemos o Palmeiras usando o 4-4-2 contra o São Paulo. Fica claro que os laterais (camisas 6 e 21) apoiaram muito o ataque, diferente dos camisas 2 e 6 do Figueirense, na figura ao lado, que jogaram mais recuados. O Posicionamento do Cruzeiro é mais parecido com o do Palmeiras, salvo que os jogadores do meio campo do Cruzeiro (camisas 5, 7, 8 e 9) parecem mais próximos um do outro. Na última figura podemos ver que neste jogo o Fluminense foi mais exigido defensivamente no seu setor direito, já que o posicionamento efetivo de seus zagueiros e volantes tendem para esse lado. Além disso, os laterais tiveram liberdade e os volantes jogam mais próximos da zaga.

Essas foram algumas considerações básicas sobre o 4-4-2. Em outra oportunidade falaremos sobre as variações, vantagens e desvantagens, diferenças entre países e considerações avançadas sobre o sistema. Fique ligado!

Os Números da 11ª rodada!

Os Números da 11ª Rodada!

Assisitiu o jogo do seu time nessa rodada? Gostou do jogo? A equipe jogou bem? Acertou passes e lançamentos longos? Fez muitas faltas? Veja os números da rodada e tire suas conclusões!







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Bola de Capotão

15 de jul de 2008

Bola de Capotão

Por Manezinho da Escrita

FINAL

Cheio de glória mesmo foi o dia em que alguns dos jogadores do time principal da cidade treinaram conosco. Para eles, certamente, uma brincadeira e sequer poderiam imaginar que, passados cinqüenta anos e aquela tarde estaria viva em meu imaginário como se tivesse ocorrido ontem.

Eram dois deles, e dos melhores. Aqueles a quem assistia admirado nas tardes de domingo nos campeonatos oficiais. A quem observava paramentando-se nos vestiários, local ao qual tinha acesso por conta do “tubarão”. O inesquecível odor de éter e pomada de cânfora, usada as tantadas pelo massagista preparando os atletas para a partida; e as ataduras apertadas aos tornozelos antes dos meiões; e as chuteiras de 10 ou 12 cravos e seu som inconfundível no piso duro do vestiário e, finalmente, a camisa de listas tricolores verticais com o escudo no lado esquerdo do peito. Mundo fantástico aos olhos de uma criança que se imaginava um deles ao entrarem em campo, saudados como heróis de um pequeno vilarejo.

Mas neste dia treinariam conosco: Mi, vigoroso zagueiro-central com um chute poderoso em sua perna direita e, Toninho Mancini, o “nosso camisa 10”, habilidoso coordenador de meio campo e que chegava ao gol com rara eficiência. Meio rechonchudo, mas grande jogador, meu ídolo e de toda a turma.

Mal podia acreditar, eu entre eles, por força de minha bola de capotão, não importa, precisava de garantias, mas valia tudo para ali estar. Tirado o par-ou-ímpar, hoje pelas visitas ilustres, os times foram montados. Fui o penúltimo a ser escolhido, meu amigo Zé Ito fechou a fila. Definidos os com-camisas e sem-camisas, quem ataca para onde, e tudo estava pronto. Nunca havia juiz em nossas peladas e as decisões sobre faltas ou o que quer que fosse, eram tomadas por consenso, rapidamente e sem brigas. Vez por outra, até desculpas por parte do infrator eram ouvidas. E a peleja teve início, amistosa para alguns, das mais importantes para outros, a da vida para mim.

A certa altura, Landinho recebe belo passe de Mi, levanta a cabeça já na entrada da grande área, canto direito e toca de primeira para alguém bem posicionado dentro da pequena área, pela esquerda, livre com a saída do goleiro para diminuir o ângulo pela direita. Passe no pé, açucarado, para quem? Eu mesmo, euzinho. Lá estava, na esquerda do ataque, em ótima posição e não por acaso, tampouco para fugir da jogada que se fazia toda pela direita, mas porque ali me coloquei por puro “instinto de goleador!?”

Ficou só no instinto. A grossura falou mais alto. O arremate matador não saiu, travei, não acreditei que pudesse estar acontecendo. As pernas endureceram, os pés transformaram-se em duas pesadas e desengonçadas bigornas imprestáveis. O goleiro Peixito já fechava meu ângulo para a finalização que nunca se fez e Toninho Mancini tomou-me a bola como quem rouba pirulito de criança. Nada elogiosos foram os impropérios que ouvi, revoltados, irados com tal demonstração de falta de talento. Fiquei arrasado. Compadeceu-se de mim apenas minha bola de capotão, meu Wilson companheiro único de um fragoroso naufrágio. Mas continuei. Algo de bom teria que me estar reservado naquela tarde tão especial, ou desistiria para sempre.

O jogo prosseguiu acirrado, com todos querendo se dar bem, como se a presença do pessoal do time de cima fizesse parte de sondagens para a seleção brasileira. Eu não aspirava nada disso, queria mesmo é livrar minha cara do vexame horroroso que havia aprontado. De repente, uma oportunidade: bola espirrada, que passe não recebia mais, sobra a meio caminho entre mim e, meu Deus!, Toninho Mancini, ele, novamente! Parti para a bola, ele também. Corri o máximo que minhas pernas permitiam, coração ainda mais acelerado, e chegamos juntos. Choque desigual. Toninho, com muita habilidade, prende a bola entre seu calcanhar esquerdo e o pé direito, joga ambas as pernas em movimento rápido por detrás do corpo e, resultado, a bola sobe o suficiente para passar ligeiramente acima de minha cabeça. Eu, no embalo que vinha, fui. Passei batido como touro no pano e a única coisa que vi foi o riso malicioso e zombeteiro de alguns. Ainda, na tentativa extrema de salvar-me de mais um vexame, tentei frear, voltar e tomar a pelota. Quem já jogou bola alguma vez na vida sabe que seria impossível, e foi. Apenas consegui escorregar e pranchar no chão feito uma abóbora. Pronto, estava feito; uma nova vergonha para o meu já extenso currículo. Como no anterior, continuei; como sempre, para desgosto de meus companheiros.

A tarde já descia e meu tempo para resgates ia ficando menor. Eu corria, esgoelava pedindo em vão um passe, uma bola boa, uma assistência. Ameacei levar a bola embora, jurei vingança, apelei para tudo que me veio à mente e, nada. Só por Deus. Era apenas um Aedes em campo, incomodava menos que mosca de banana.

A partida estava empatada, o meu “jogo da vida” estava igual em três gols para cada lado e tudo parecia irremediavelmente perdido. Mas então, um contra-ataque: espetacular defesa de nosso goleiro, bola rebatida e Mi a retoma. Livra-se de Zé Pindoba e procura alguém para passar, prende um pouco a jogada, olha novamente e descrente e sem alternativa, passa-me a bola no grande círculo. Ela vem em minha direção, rasteira e esperta e não há tempo para pensar no que fazer, eu era só instinto. Deixei a bola passar rente a meu pé esquerdo e, sem tocá-la, girei o corpo em 180 graus para partir rumo ao gol, sempre em movimento e sem perder seu domínio. Fiz a volta certinha e, quando levanto o olhar, vejo um gigante correndo em minha direção. Era Toninho Mancini se interpondo, novamente, bem à frente e em velocidade, e crescendo. E aí, pintou o craque: com a ponta de meu pé direito, desviei com sutileza a trajetória da bola, que passou rente por seu lado esquerdo, enquanto eu contornava pela sua direita e retomava a bola bem às suas costas. Ele, tomado de surpresa com a rapidez com que tudo aconteceu, sem acreditar que havia tomado o drible-da-vaca, parou e voltou-se ainda a tempo de me ver fazer precioso passe ao Pelé que se deslocava velozmente pela direita. Recebeu e, também rápido, tocou para Calango, já na área e de primeira, vencer Peixito e desempatar o jogo. E foi a glória, e foi a minha glória.

Enquanto todos festejavam, alguém me deu um carinhoso cascudo pelas costas, me virei, olhei e Toninho, meu ídolo, com um sorriso no rosto disse-me: “bela jogada, garoto”.

O jogo terminou e nós vencemos.

Apanhei minha bola, a coloquei sob o braço e caminhei para casa. Uma longa sombra de meu corpo que o sol, já bem baixo no horizonte, fazia projetar bem a minha frente, deu-me a dimensão de como me sentia naquele instante, naquele caminho tantas e tantas vezes trilhado. Era a fantasia do menino o transformando momentaneamente e para sempre num grande craque, tão grande quanto a sombra que o acompanhava. Levantei o braço em aceno a mim mesmo e a mágica tornou-se ainda maior, em fundo avermelhado cortado pelas demarcações brancas do campo de futebol. Quiquei minha bola no chão uma vez, outra e outra mais e a retomei ao braço. O som que ouvi de meu capotão era pura música aos meus ouvidos, era o alarido enlouquecido da galera, saudando minha saída.

Fui tirado de meu quase transe por minha mãe, recomendando que pusesse a roupa que usava no cesto de roupas sujas. Assim o fiz e ao mesmo tempo em que a água do chuveiro limpava meu corpo suarento, a alma já lavada colocava em meu cesto de memórias, no espaço reservado ao futebol, minha grande paixão de criança, a mais pura e definitiva lembrança, tão viva hoje como se hoje tivesse ocorrido.

Bola de Capotão

13 de jul de 2008

Bola de Capotão

Por Manezinho da Escrita

Parte III

Eu queria ser bom, mas era um grosso. Como perseverar e sobreviver num ambiente tão hostil? Pois eu consegui! Até alguns poucos momentos de glória eu vivi. Como foi isso?

Há cerca de 40 anos, nas pequenas cidades do interior paulista, como na minha, havia três figuras poderosas em torno das quais a comunidade se organizava social, religiosa e economicamente: o padre, o prefeito e o médico. Eu era filho de uma delas. Do padre é que não, pois, oficialmente, não os tinha. Menos ainda do prefeito, opositor ferrenho de meu pai. Mas do médico, este sim, o mais rico e poderoso entre os poderosos. Era conhecido em toda região como o “tubarão” e eu, por decorrência natural, o “filho do tubarão”. Se isso era bom ou não para ele, na ingenuidade de criança, eu nem sabia, mas para mim era uma beleza. Tinha o maior orgulho em ser conhecido assim, era de respeito – talvez até de zombaria, mas nunca percebi -, estufava o peito e tirava vantagem. Nada de folgar muito para cima de mim, pois o temiam. As razões? Nunca soube bem e não importava. Em meu universo infantil a lenda era infinitamente mais importante que o fato, portanto, bolas para a realidade, bolas para os adultos e seus problemas e, bolas para mim, mas as de capotão. Lá no futebol, em meio aos craques, aos bons de bola, eu era o dono da bola. A bola de capotão era minha, meu passaporte seguro entre eles, meu valioso objeto de barganha, minha garantia de espaço no campo de jogo, meu definitivo antídoto para o famigerado banco. Reluzentes, feitas do mais puro couro, costuradas à mão em gomos de encaixe perfeito, redondas como lua cheia, macias feito miolo de pão e cheirosas como congote de menina. Sempre novas e besuntadas com o mais puro sebo de boi que eu mesmo encomendava direto do matadouro; bem cheias porque eu também tinha bomba e bigulim. E que som elas faziam! Pura melodia ao tocarem o solo, percutidas pelas mãos orgulhosas de seu dono. Era uma perder o viço e já havia outra, bastavam algumas boas notas no boletim, o que era uma sopa.

E eram minhas, só minhas e de mais ninguém, pois não as tinham, minhas adoráveis e inseparáveis bolas de capotão. E só tem jogo se eu jogar; eu e meus amigos da reserva, Piuí e Zé Ito. E quero bola no pé e camisa dez nas costas. Quero assistência, que construir não sei, e bola baixa, que no cabeceio sou ruim e, nada de bronca se chutar para fora. Quero ver quem pode, sou o “filho do tubarão”.

Virei o jogo e me esbaldei, tornei-me cativo. Não titular, reconhecia meus limites, mas nunca mais fiquei fora dos treinos, nunca mais os assisti lá do banco, nunca mais fui gandula, nunca mais fui invisível; eu, o dono da bola, Piuí e Zé Ito, meus protegidos.

Vali-me do recurso possível, não por qualquer capricho ou impertinência, mas porque gostava de jogar bola, queria acertar, queria muito melhorar, queria alguma admiração e respeito e, acima de tudo, queria divertir-me com os amigos nos finais de tarde ensolarados de minha pequena cidade. Tanto que, por inúmeras vezes, impedido de jogar por algum outro motivo familiar, nunca hesitei em emprestar meu capotão, disponibilizando meu precioso trunfo para diversão da turma.

Queria espaço e respeito. Nunca mais fui o último escolhido no par-ou-ímpar para a formação dos times. Agora eu punha os dedos, eu e Piuí ou Zé Ito. Nós escolhíamos, começando, evidentemente, pelos mais fortes: eu quero o Pelé, eu o Landinho; Calango para mim, eu o Cheque, e assim por diante. Não mudamos a filosofia essencial, apenas, ingenuamente, empurramos o problema para outros; mas não seria esta a ética das crianças?

E jogávamos todos os dias até o sol se pôr e ele o fazia bem aos nossos olhos, em espetáculos vermelhos e inesquecíveis. Nossas sombras esticando-se compridas e engraçadas, cruzando-se sem cessar até tornarem-se indistintas no escuro do poente. Hora de parar, voltar para casa, banho bom, jantar quente e esperar pelo novo dia, pelo novo encontro, pela nova pelada. Capotão sob o braço, orgulho estampado, fantasia de craque: Gilmar, Djalma Santos, Beline, Orlando e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagalo, o Brasil de 1958 estaria entrando em campo no domingo, em Solna na Suécia, para decidir a sexta Copa do Mundo de Futebol...Eu era um deles.

Continua ainda esta semana!

Os números da 9a Rodada!

9 de jul de 2008

Os Números da 9a Rodada!

Assisitiu o jogo do seu time nessa rodada? Gostou do jogo? A equipe jogou bem? Acertou passes e lançamentos longos? Fez muitas faltas? Veja os números da rodada e tire suas conclusões!







Dados Fornecidos Pela ScoutOnline

Bola de Capotão

8 de jul de 2008

Bola de Capotão

Por Manezinho da Escrita

Parte II

E eu fui um deles, um dos maiores. Mas fui também o mais teimoso, nunca desisti. Lembro-me até hoje, rejeitado, posto de lado numa interminável reserva, intimidado, olhar medroso para os bons, os que estavam sempre lá, os que nunca me viam; aquele “timaço”:

Peixito, Laércio e Tuta; Cheque, Calango e Calanguinho; Valdenir, Celso, Pelé, Landinho e Zé Pindoba. No banco: Piuí, Zé Ito e eu.

Piuí e Zé Ito eram mais moços, franzinos e muito ruins de bola. Meus amigos, colegas de infortúnio, passávamos horas à beira do gramado na espera de alguma chance de jogar. Que banco era aquele! E nós, titulares absolutos dele.

Nem todos os grossos são iguais, há diversas categorias deles e os desafortunados migram de uma para outra numa triste sucessão sem fim, só interrompida por desistência. Grosso nunca deixa de ser grosso, pode até melhorar um bocadinho, mas só consegue passar para outra categoria de grosso, jamais será bom de bola, nem com todo esforço do mundo. Vejamos algumas:

  1. O grosso “meio grosso”: é o que, vez por outra, consegue executar um passe, tem um chute, digamos, até “fortezinho” embora completamente sem rumo, cabeceia com a tampa da cabeça mandando a bola lá para o céu e, com muita sorte, consegue um ou outro drible, bem simplesinho, sem evolução alguma, pura perda de tempo, mas...um drible. Nunca recebe um passe, somente bola espirrada, mas, em compensação, muita bronca.

  2. O grosso “grosso”: um pouco pior que o “meio grosso”, com o agravante de atrapalhar muito os companheiros, de tropeçar nas próprias pernas e na bola e, principalmente, usar as mãos sem medir conseqüências.

  3. O grosso “muito grosso”: é o sem noção. Não chuta, não cabeceia, não se posiciona jamais, não carrega a bola, não passa, pula alto no arremesso lateral, corre para o lado contrário, não vê, não ouve e não fala. Toma a bola do companheiro e entrega para o adversário e fura feio na cara do gol. Um verdadeiro desastre.

  4. O grosso “irremediavelmente grosso”: pior que o “muito grosso”, por difícil que pareça, pois além de tudo é distraído, preguiçoso e se julga muito bom. Não se afasta muito da bandeira de escanteio, grita o tempo inteiro “passa, estou livre”, desorienta taticamente o time e censura toda e qualquer jogada. Um verdadeiro esquizofrênico alucinando, um desespero, um pesadelo.

Se há sutis diferenças, há também o que os unem e fazem iguais: o sempre presente sentimento de rejeição, de menor valia e de humilhação. A vontade de acertar, o amor e admiração pelo futebol. Assolados entre o infantil sonho fantasioso de reconhecimento e glória, contraposto à dura e inclemente realidade. Frustração é o nosso lema, silêncio tolerante, o nosso hino e o apupo o nosso único aplauso.

Continua ainda esta semana!

Bola de Capotão

7 de jul de 2008

Bola de Capotão

Por Manezinho da Escrita

Parte I

Bola de capotão é coisa de antigamente, o que faz de mim um cara antigo. Quando me vejo tão rico em memórias da infância e adolescência e não me lembro dos resultados da última rodada, se haviam dúvidas, já não as posso ter: sou mesmo um cara antigo. E são dessas reminiscências de um passado lá ao longe, que cada vez mais compõe meu pacote de memórias, que quero falar. Uma catarse quase necessária na ânsia de compartilhamento e antes que, também elas, confundam-se entre si deixando-me órfão de minha própria história, condenado a repetir por aí lengalengas em incoerente e chato discurso entre cochilos, que ninguém mais quererá ouvir.

Não vou falar de doenças nem de remédios, tampouco de namoradas e de primeiras vezes. Sequer da família, seus conflitos e alegrias, como também não dos estudos, colégios, professores, formaturas e demais chatices. Pai e mãe, só de passagem para compor o quadro.

Mas o que resta para falar então? Muito. Sobra o futebol, sobra minha bola de capotão. Sobram meus amigos, minha turma, minha pequena cidade do interior. Resta o meu campo de futebol, o “próprio da municipalidade”, cuja grama rala era também partilhada com os cavalos da prefeitura. Sobram as “peladas” e tudo que representaram nas fantasias, sonhos e realizações de uma criança como tantas outras, como em todos os tempos, o que faz de minha história, não um ranço mofado perdido no passado, mas algo que se renova a cada dia nas experiências de cada criança, ou muitas delas. Crianças correndo atrás de uma bola, centenas de Kakas, Ronaldinhos, Patos e Willians. Pés no chão ou pés nos nikes, com camisas versus sem. Cabeças avoadas, corações de pura paixão e ouvidos ensurdecidos pelo alarido de imaginários Morumbis, Pacaembus, Maracanãs.

Mas minha história é a história de um grosso.

Não o Grosso, brilhante lateral da seleção italiana, um dos melhores da copa de 2006. Não, não este. Mas grosso, sem habilidades, que mais atrapalha que ajuda, o não confiável, o que não se quer no time. Pode até ser esforçado, aplicado, correr como um cavalo sem rumo, mas nada rende, nada faz de bom, de proveitoso. Aquele que pede a bola e ninguém dá e que, quando a rouba, tem de passar logo antes que a perca. É o infeliz que acaba como gandula, única forma de tocar na pelota com alguma utilidade.

Continua ainda esta semana!

Fluminense garante o empate no clássico.

3 de jul de 2008

Fluminense garante o empate no clássico.
Mesmo com a cabeça na Libertadores, o Fluminense conseguiu um empate contra o Botafogo no Brasileirão.



Lógico que qualquer torcedor do Fluminense dirá que só empatou com o Botafogo porque entrou com o time reserva e, afinal de contas, o time tem a final da Libertadores para jogar esta semana. Mas clássico é clássico e ninguém gosta de perder para rival. Para o Fluminense o empate saiu de bom tamanho, visto que poupou seus principais jogadores para o embate contra o LDU, mas o Botafogo teve que suar bastante para não tomar um gol do time “reserva” do Fluminense e também para tentar marcar um golzinho.



O Botafogo pressionou durante todo o jogo, porém a defesa do Fluminense estava muito bem posicionada e obrigou os atacantes a saírem da área. Algumas boas jogadas do Botafogo que aconteceram pelas laterais do campo, terminaram em um cruzamento na área para ninguém, pois quem realizava estes cruzamentos era Wellington Paulista [9] que na verdade deveria recebe-los. No 2o tempo o Fluminense conseguiu algumas boas jogadas com a participação de Somália [18] jogando nas costas do lateral esquerdo do Botafogo, Triguinho [6].

Tabela de Fundamentos de FLU x BOT - Jogo Inteiro

- Grande número de passes certos

- Elevado número de faltas

- Poucas finalizações

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Mais um clássico na Região Sul e outro empate.

2 de jul de 2008

Mais um clássico na Região Sul e outro empate.
Grêmio sai atrás mais uma vez, mas consegue um empate no clássico.



Mais um clássico sulista nesta rodada termina empatado. Foi um jogo muito disputado, com poucas jogadas efetivas de ataque no 1o tempo, mas com um 2o tempo emocionante. As duas equipes entraram com muita sede de bola, mas o jogo acabou ficando feio devido às bolas quebradas e o jogo concentrado no meio-campo. Observando o posicionamento efetivo sobreposto do 1o tempo fica claro que as duas equipes utilizaram suas laterais esquerdas de ataque para tentar chegar à área adversária.



As jogadas pelas laterais geraram alguns cruzamentos perigosos tanto para o Grêmio quanto para o Internacional-RS, mas nada que assustasse muito o torcedor. Já na segunda etapa, o Internacional-RS foi para cima do Grêmio pressionando o time da casa em seu campo de defesa. As jogadas continuaram sendo articuladas pela esquerda, principalmente as do Grêmio. Com a entrada de Ramon [16] no lugar de Taison [7] no tim do Internacional-RS as jogadas ficaram mais distribuídas entre a lateral esquerda de ataque e o meio da entrada da área. O meia-atacante do Inter deu maiores possibilidades e velocidade ao passe no meio, jogando com Nilmar [9] e Alex [10].

Gráfico de passes certos de Grêmio x Inter – jogo todo

Nesta imagem fica claro que o Grêmio manteve maior posse de bola e conseguiu passar mais vezes do que O Internacional-RS. Porém, o Internacional-RS abriu o placar no início do jogo e administrou muito bem a vantagem. No fim do jogo o goleiro do Internacional-RS Renan [1] cometeu um pênalti infantil, foi expulso e deu o empate ao Grêmio.


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Clássico paranaense termina empatado.

Clássico paranaense termina empatado.
O Atletiba acabou empatado em um jogo bastante equilibrado.



Arena da Baixada lotada, expectativa de jogo pra lá de emocionante! Na primeira etapa da partida, com certeza, alguns torcedores (principalmente os atleticanos) estavam “se roendo” de raiva e tédio. Nenhum dos times conseguia desenvolver suas jogadas de ataque, muitos passes errados e bolas perdidas. O Coritiba montou um sistema defensivo muito eficiente e tentou atacar pelas alas, mas os meias não estavam muito bem em campo e as jogadas não saíam. Além disso, o sistema defensivo do Atlético- PR também estava muito bem organizado e não deu sossego ao ataque coritibano. Observando o posicionamento efetivo sobreposto do 1o tempo podemos perceber algumas características dos times:



Já no segundo tempo a história foi outra. O Coritiba voltou com grande ímpeto de vencer, foi para cima do Atlético PR e pressionou o time da casa. Foram 10 finalizações só no 2o tempo, contra 6 do Atlético PR.

É nítida a diferença da postura de ambos os times na segunda etapa da partida. O Coritiba avançou seus alas, deixando os volantes na cobertura (Rodrigo Mancha [7] não aparece na imagem, mas jogou até os 39 minutos). O Atlético PR foi obrigado a recuar, Pedro Oldoni [18] deu maior mobilidade ao ataque e o time conseguiu realizar boas jogadas de ataque. Aos 36 abriu o placar com um gol de pênalti de Alan Bahia, mas deixou o Coritiba empatar no final do jogo em uma cobrança de escanteio, bola desviada e um cabeceio, praticamente da linha de fundo de Marcos Tamandaré [13], um gol quase inacreditável!

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